Tabela comparativa: Rouanet x Audiovisual
| Critério | Lei Rouanet | Lei do Audiovisual |
|---|---|---|
| Base legal | Lei nº 8.313/1991 | Lei nº 8.685/1993 (alterada por 11.437/2006) |
| Ano de vigência | 1991 | 1993 |
| Órgão regulador | Ministério da Cultura (MinC) — via Salic | ANCINE (Agência Nacional do Cinema) |
| Teto de dedução (PJ Lucro Real) | 4% do IRPJ devido | 4% do IRPJ devido (compartilhado) |
| Modalidades atendidas | Cultura ampla: teatro, dança, música, artes visuais, livro, museus, patrimônio + obras audiovisuais residuais | Audiovisual exclusivamente: filmes, séries, documentários, animação, infraestrutura cinematográfica |
| Artigo de patrocínio principal | Art. 18 (100% dedutível) ou Art. 26 (30-40%) | Art. 1A (FUNCINES) ou Art. 3 (patrocínio direto) |
| Dedução do valor patrocinado | 100% (Art. 18) ou 30-40% (Art. 26) | 100% no Art. 3; aplicação em FUNCINES via Art. 1A |
| Tipos de projeto típicos | Musical, exposição, livro, peça teatral, concerto | Longa-metragem, série, documentário, curta |
| Compartilhamento de teto entre si | Sim — 4% TOTAL com a Lei do Audiovisual | Sim — 4% TOTAL com a Rouanet |
| Combinação com LIE (Lei do Esporte, 2%) | Permitida (tetos independentes) | Permitida (tetos independentes) |
Como decidir a alocação: heurística para CFOs
Regras de alocação Rouanet vs Audiovisual
- SeEmpresa tem briefing audiovisual fixo (já patrocina filme/série recorrentemente)EntaoReserve 60% do teto de 4% para Lei do Audiovisual antes de Rouanet
- SeEmpresa NUNCA operou audiovisual e quer começar pela cultura amplaEntaoComece 100% por Rouanet Art. 18 (curva de aprendizado menor)
- SeEmpresa quer associação de marca a CINEMA NACIONAL premiadoEntaoUse Lei do Audiovisual Art. 3 em coprodução premium
- SeEmpresa quer DIVERSIFICAR risco entre projetos pequenosEntaoUse FUNCINES (Art. 1A) — fundo gere portfolio de obras
- SeEmpresa tem teto disponível mas pouco tempo no exercício (Q4)EntaoRouanet Art. 18 — operação mais rápida (30 dias) que captação audiovisual (60-90 dias)
Cenários práticos: alocação ruim vs alocação otimizada
Cenário A — Empresa com IRPJ devido de R$ 25 milhões
Teto compartilhado Rouanet + Audiovisual: R$ 1.000.000 (4% de R$ 25 mi).
| Alocação | Rouanet | Audiovisual | Dedução obtida |
|---|---|---|---|
| Ruim — sem coordenação | R$ 800k | R$ 600k | R$ 1.000k (teto atinge — sobra R$ 400k sem dedução) |
| Otimizada — alocação prévia | R$ 400k | R$ 600k | R$ 1.000k (100% dentro do teto) |
Cenário B — Grande empresa com IRPJ devido de R$ 80 milhões
Teto compartilhado: R$ 3.200.000 (4%). Adicione LIE (2% independente = R$ 1.600.000) e o capital fiscal total disponível para incentivos chega a R$ 4.800.000.
| Linha | Rouanet | Audiovisual | LIE | Total |
|---|---|---|---|---|
| Teto | R$ 3,2 mi | (compart.) | R$ 1,6 mi | R$ 4,8 mi |
| Alocação otimizada | R$ 2 mi (musical) | R$ 1,2 mi (filme) | R$ 1,6 mi (Stock Car) | R$ 4,8 mi |
| Custo líquido | R$ 0 | R$ 0 | R$ 0 | R$ 0 |
Quando NÃO usar cada uma
Quando NÃO usar Lei do Audiovisual
- Sem briefing claro de cinema/audiovisual — Rouanet entrega flexibilidade maior em pouco tempo.
- Empresa está no Lucro Presumido — sem acesso (Audiovisual é só Lucro Real, igual Rouanet).
- Já operou Rouanet no exercício e usou todo o teto de 4% — sem dedução adicional para Audiovisual.
- Quer ROI de marca rápido (3-6 meses) — produção audiovisual leva 12-24 meses do depósito à exibição.
Quando NÃO usar Rouanet
- Quando há projeto audiovisual estratégico já mapeado — priorize Audiovisual para garantir o fit.
- Quando teto de 4% já foi consumido por Audiovisual no exercício — não sobra dedução.
- Quando o objetivo é mídia massiva em transmissão TV — LIE em automobilismo gera mais exposição com 2% do IRPJ separado.
Como combinar: estratégia integrada
Empresa que opera Rouanet + Audiovisual + LIE no mesmo ano segue padrão Smart Capta:
- Q1 — Mapeamento: diagnóstico fiscal com projeção de IRPJ. Define teto compartilhado (4%) + teto LIE (2%).
- Q1 — Briefing: marketing/jurídico definem o split entre Rouanet (cultura ampla), Audiovisual (cinema) e LIE (esporte).
- Q2 — Curadoria: 3 projetos de cada categoria com fit. Análise de aprovação vigente + plano de captação.
- Q3 — Fechamento: termos assinados em ordem de prioridade (Audiovisual primeiro se longo prazo; Rouanet/LIE em sequência).
- Q4 — Execução e relatórios: depósitos efetuados, recibos arquivados, contrapartidas em andamento.
Glossário de entidades
- ANCINE (Agência Nacional do Cinema)
- Autarquia federal que regula a indústria audiovisual brasileira. Aprova projetos para captação via Lei do Audiovisual e administra o Fundo Setorial Audiovisual (FSA).
- FSA (Fundo Setorial Audiovisual)
- Fundo da ANCINE que fomenta produção audiovisual via editais públicos diretos — não envolve patrocinador empresarial nem consome teto fiscal.
- FUNCINE (Fundo de Financiamento da Indústria Cinematográfica Nacional)
- Fundo de investimento condominial que recebe aportes dedutíveis via Art. 1A da Lei do Audiovisual. Gere portfolio de obras — diversifica risco por projeto.
- Art. 1A vs Art. 3 da Lei do Audiovisual
- Art. 1A = dedução de até 4% do IRPJ em quotas de FUNCINES. Art. 3 = dedução do mesmo teto em patrocínio direto a obras aprovadas pela ANCINE. Ambos consomem o mesmo teto compartilhado com a Rouanet.
- Projeto qualificado (ANCINE)
- Obra audiovisual com registro vigente na ANCINE habilitando captação via Lei do Audiovisual. Equivalente ao número Pronac da Rouanet, mas com regras técnicas próprias (CRT, COFI, conta vinculada).
Continue lendo
Veja também: Lei Rouanet — guia definitivo e Rouanet vs Lei do Esporte (combinação 6%). Para checklist do CFO antes de aprovar operação, Checklist do CFO.




